A doença venosa crónica, ou insuficiência venosa crónica, corresponde a uma anomalia do funcionamento do sistema venoso causada por uma incompetência das válvulas que existem nas veias, associada ou não à obstrução do fluxo venoso.
O sistema venoso encontra-se dividido em superficial, perfurante e profundo, podendo esta doença afetar qualquer um desses compartimentos. O funcionamento venoso depende da boa função das válvulas e dos músculos propulsores, que garantem o fluxo venoso no sentido contrário à gravidade.
A incompetência valvular das veias superficiais pode resultar no enfraquecimento das paredes vasculares ou ser secundária a tromboflebites, enquanto a incompetência venosa profunda surge, frequentemente, na sequência de uma obstrução.
A frequência desta doença aumenta com a idade. Na Europa, dos adultos com idades entre 30 e 70 anos, 5% a 15% apresentam esta enfermidade, sendo que 1% apresenta já úlcera varicosa. Trata-se de um problema muito comum, capaz de reduzir a qualidade de vida e com repercussões a nível socioeconómico, tendo em conta que as suas complicações podem ser responsáveis por dor crónica e incapacitante e, consequentemente, pela perda de dias de trabalho e antecipação da reforma.
Os sintomas
Sensação de peso e dor nos membros inferiores, sobretudo no final do dia e, em alguns casos, prurido. Pode também ocorrer formigueiro, hiperpigmentação da pele (por acumulação de hemoglobina), substituição progressiva da epiderme e do tecido subcutâneo por fibrose, inchaço, presença de veias varicosas e de sinais.
A úlcera de estase, que ocorre na doença venosa crónica, inicia-se de forma espontânea ou traumática, tem tamanho e profundidade variáveis, sendo frequente curar e reaparecer regularmente. A sua localização mais comum é na face interna da perna, junto ao tornozelo.
Se não for tratada, as veias tendem a dilatar tornando os sintomas mais graves, podendo ocorrer insuficiência venosa grave, com risco de trombose venosa profunda e embolia pulmonar.
Causas
Atualmente sabe-se que a idade avançada, a história familiar e o género constituem fatores de risco importantes para o desenvolvimento de doença. As mulheres apresentam maior tendência para doença, sobretudo nos últimos 14 dias do ciclo menstrual. Além destas existem outras causas:
- Permanecer muitas horas de pé ou sentado, principalmente de pernas cruzadas
- Estilo de vida sedentário
- Permanência prolongada em lugares quentes, porque o calor dilata as veias e aumenta a estase
- Exposição solar prolongada, banhos quentes, sauna e vestuário quente
- Prisão de ventre e excesso de peso
- Roupa muito apertada
- Sapatos com salto alto ou rasos
A gravidez e a contraceção oral podem agravar a doença, uma vez que os estrogénios aumentam a permeabilidade venosa e a progesterona promove a sua dilatação.
Prevenção
- Evitar permanecer muitas horas de pé ou sentado, principalmente de perna cruzada. Caso o trabalho o obrigue, é importante procurar realizar movimentos circulares com os pés ou caminhar no horário pós-laboral.
- Praticar exercício regular, uma vez que estimula a contração muscular e o retorno venoso. Devem ser preferidos a ginástica, natação, ciclismo ou a dança, que promovem a circulação venosa.
- Evitar os lugares quentes, uma vez que dilatam as veias e aumentam a estase. Por oposição, passar água fria, assim como permanecer em locais frescos.
- Fazer uma alimentação rica em fibras (vegetais), com boa hidratação e reduzir a ingestão de gorduras saturadas (como, por exemplo, manteiga). A prisão de ventre e excesso de peso também aumentam a pressão sanguínea venosa.
- Evitar roupa muito apertada, esta comprime as veias e dificulta a circulação. O uso de sapatos apropriados é também relevante. Devem ser preferidos saltos de três a quatro centímetros em detrimento de sapatos de salto ou rasos.
- Realizar movimentos pedalares antes de adormecer ou elevar os pés.
- Massajar as pernas de baixo para cima também estimula o retorno venoso.